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Andrea Neves: gestão social do Vozes do Morro rompe barreiras

Andrea Neves: gestão social do Vozes do Morro eleva produção musical e transforma a vida de artistas das comunidades.

Andrea Neves: gestão, justiça social e promoção da cultura

Fonte: Agência Minas e Minas em Pauta

Iniciativa do Servas promove qualificação dos músicos e divulgação dos trabalhos autoriais na RMBH; programa já impulsionou carreira de 47 artistas desde 2008

Andrea Neves

Andrea Neves em evento do Voz do Morro

Samba, pagode, rock, black music, rap, sertanejo e funk. A diversidade musical é uma das marcas do programa Vozes no Morro, ação do Governo de Minas e do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) em parceria com o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de Minas Gerais(Sert-MG) e Sebrae-MG. A iniciativa valoriza e divulga a produção artística de moradores de vilas, favelas e aglomerados da Região Metropolitana de Belo Horizonte, tendo como orientações privilegiar o ineditismo e promover a inclusão cultural.

“O Vozes do Morro é um programa de democratização, que cria oportunidades e rompe barreiras. A música, com seu poder aglutinador, dá o tom de uma ação que mobiliza centenas de pessoas, abrindo janelas por onde podemos nos enxergar melhor, e porta por onde podemos nos aproximar mais uns dos outros”, enfatiza a presidente do Servas, Andrea Neves.

O programa cria condições para realizar projetos autorais, antes restritos às comunidades nas quais estavam inseridos. Desde 2008, o Vozes do Morro já ajudou a impulsionar a carreira de 47 artistas, por meio da divulgação de clipes e spots nas emissoras de rádio e TV do Estado.

Os selecionados trilham caminhos próprios, com agenda de shows cheia e gravação de CDs com vasto repertório. Em alguns casos, como aconteceu com o cantor e compositor Tom Nascimento, da cidade de Santa Luzia, o artista passa a ser referência nas comunidades e até inicia uma carreira internacional.

Após participar da edição de 2008 do programa, Tom Nascimento fez apresentações na Itália,França e Inglaterra. “Ingressei no Vozes do Morro para fortalecer minha produção artística e o trabalho autoral”, frisa o músico, que já integrou o grupo Berimbrown e se apresentou na abertura do novo Mineirão. Atualmente, Tom Nascimento está na turnê do CD que conta com a participação de grandes nomes da música brasileira, como Chico César.

Porém, Andrea Neves destaca que, muito além de uma carreira bem-sucedida, a proposta do Vozes do Morro é valorizar a produção cultural das comunidades. “Temos histórias maravilhosas de sucesso. Mas costumo ressaltar que nosso objetivo não é esse, embora também seja muito importante. Nossa intenção é fazer com que ele possa reforçar, na comunidade, laços de afeto e de identidade cultural entre os moradores”, esclarece.

A iniciativa oferece ainda cursos de formação gerencial, em parceria com o Sebrae-MG, preparando os artistas para a administração de suas carreiras. O curso “O nosso negócio é música” é inédito, desenvolvido especialmente para o programa e obrigatório para os selecionados, com aulas teóricas e práticas. A capacitação também abrange noções de mercado, estratégias de marketing e técnicas de negociação, entre outras disciplinas.

Aspirantes ao sucesso

Selecionada para a última edição do Vozes do Morro, a dupla sertaneja Douglas e Leon, da Vila Pinho (Barreiro), em Belo Horizonte, está certa de que terá grandes oportunidades na carreira. “Um amigo me apresentou e disse que ia fazer nossa inscrição. O Vozes do Morro abriu muitas portas para nós. Ficarmos mais conhecidos, principalmente em Belo Horizonte, e os pedidos para shows têm aumentado”, conta Leon.

O gosto pela música vem de família. O pai de Leon era sanfoneiro e, desde cedo, o sertanejo aprendeu tocar instrumentos. Seu parceiro, Douglas, tinha uma banda de forró. “Depois que ele começou a cantar sertanejo eu o chamei para fazer uma parceria em 2010”, lembra Leon, que ainda revela que, com a projeção, a dupla planeja gravar um CD com músicas inéditas.

Quem também teve contato com o universo da música desde pequeno é Fábio Lúcio, conhecido como Fabinho do Terreiro, do bairro Esplanada, em BH. O sambista, que tem em Paulinho da Viola, Ataulfo Alves, Candeia e Milton Nascimento suas principais referências, começou a tocar cavaquinho aos 14 anos, depois de ganhar o instrumento de presente da sua mãe. Em seguida, passou a se apresentar na capital e a frequentar rodas de samba.

Com mais de 25 anos de carreira, Fabinho enaltece a inédita divulgação do seu trabalho. “Foi a primeira vez que tive um clipe sendo executado na televisão”, frisa. “Isso me deu uma grande projeção musical. O projeto valoriza as pessoas da periferia, da favela, o músico que não tem recursos”, acrescenta o músico ao destacar o lado social da iniciativa.

Um dos integrantes do grupo Raça DMCs, Carlos Rodrigues de Souza, da cidade de Betim, revela que, por acaso, uma abordagem sobre a igualdade social o aproximou do programa. “Eu não queira seguir a careira a artística. Teve um trabalho na escola e resolvemos falar sobre o rap e a igualdade social. O trabalho teve uma boa repercussão e as pessoas me incentivaram a continuar. Resolvi arriscar e deu tudo certo”, recorda.

Coroação do trabalho

Na última quarta-feira (28), 12 artistas solo e bandas selecionados pelo Programa Vozes do Morro em 2011 e 2012 apresentam show no Teatro Alterosa, em Belo Horizonte. O governador Antonio Anastasia participou do evento e destacou a importância do programa por levar ao conhecimento do público artistas antes restritos às suas comunidades.

“O Vozes do Morro tem o objetivo de identificar talentos que são tantos, milhares e milhares. O mais importante é reconhecer o talento firme de todos aqueles que têm possibilidade de cantar, mas que, muitas vezes, não tinham acesso aos meios de comunicação. Agora vamos reavaliar e avançar ainda mais”, afirmou Anastasia.

Além de Douglas e Leon, Fabinho do Terreiro e Raça DMCs, os artistas que se apresentaram no Teatro Alterosa foram: ADS (Aliados do Senhor), Fabinho do Terreiro, Sem Meia Verdade, Lúcio Monteiro, Marcello Matos, Nascidos do Samba, Raça DMCs, Ralfe Rodrigues, Rannah, Tambor do Matição, Vanderli e Wardel.

O programa recebeu o apoio de padrinhos conhecidos como Fernanda Takai, do Pato Fu; Flávio Venturini, Rogério Flausino, do Jota Quest; Samuel Rosa, do Skank; Vander Lee, Lô Borges, o Renegado, Tianastácia, André Valadão e Victor e Leo.


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