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26
out
09

Andrea Neves lança com Aécio Neves campanha de Valorização da Pessoa Idosa – filme publicitário tem participação de Zezé di Camargo

Com o objetivo de sensibilizar e mobilizar a sociedade em torno de ações para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com 60 anos ou mais, o Servas e o Governo de Minas lançaram nesta quinta-feira, 22 de outubro, no Palácio da Liberdade, a campanha de valorização da pessoa idosa. O lançamento foi feito pela presidente do Servas,  Andrea Neves, e pelo governador Aécio Neves. Além de parceiros da iniciativa, o cantor Zezé di Camargo, que está em um dos filmes a ser veiculado, esteve presente na solenidade e, ao final, cantou a música “Couro de Boi”, tema da campanha, com Luciana Tolentino e o músico Geraldo Almeida ao violão.

“Não é a primeira vez que o Servas e Governo de Minas se unem a empresas de comunicação em torno de causas de interesse social. Em 2008, a campanha contra o abuso sexual e a violência doméstica fez as denúncias se multiplicarem. Em 2006 sensibilizamos para o drama dos desaparecidos. Mas esta campanha, de valorização da pessoa idosa na nossa sociedade, talvez seja a mais difícil. Porque não estamos falando dos outros, mas de nós mesmos. E depende da mudança de postura de cada um. Essa campanha sensibiliza para o respeito e afeto com essas pessoas. É o ponto de partida para outras questões”, disse a presidente do Servas, Andrea Neves.

“Acho que essa é uma campanha que tem de ir além das fronteiras de Minas Gerais. E ela tem essa capacidade de que não é muito comum em peças desse tipo. Falo com muita sinceridade, a mim me tocou e me deu vontade de ligar para casa. Acho que todo mundo vai sentir um pouco uma certa cobrança íntima daquilo que não vem fazendo, mas que poderia estar fazendo cotidianamente sem qualquer custo, sem qualquer trabalho a mais. Então, é uma campanha que não é do governo, é uma campanha que os mineiros que estão oferecendo para o resto do Brasil”, afirmou o governador, em entrevista.

Para Zezé di Camargo, o idoso sente mais falta do apoio e carinho das pessoas que ama do que da questão financeira. “Do lado financeiro, tem as entidades filantrópicas, os governos estaduais, federal que têm uma parcela de cuidados com isso. Mas eu acho que o maior carinho que o idoso necessita é exatamente por parte dos entes queridos, principalmente dos filhos”, disse o cantor.

Inclusão na rotina

A campanha, que será veiculada em TVs, rádios e impresos, chama a atenção para a necessidade da mudança de atitude e inclusão dos idosos na rotina das famílias. Foram produzidos dois filmes, sendo que o primeiro a ser divulgado tem o cantor Zezé di Camargo, que aderiu à campanha não cobrando cachê. O artista recita a letra da música “Couro de Boi”, de Diogo Mulero e Teddy Vieira. O segundo mostra imagens de idosos sozinhos em casa, enquanto outras pessoas relatam uma rotina que não os inclui.

Também será dado o alerta para a necessidade de denunciar qualquer situação que exponha o idoso a riscos, com a divulgação do Disque Direitos Humanos (0800 031 11 19), serviço gratuito e sigiloso. Os números do Disque Direitos Humanos demonstram um crescimento de 30% nas denúncias de violência contra a pessoa idosa, passando de 133 entre janeiro e setembro de 2008, para 173 em igual período deste ano.

Desenvolvida pelo Servas e Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a campanha tem o apoio do Conselho Estadual do Idoso de Minas Gerais e Ministério Público. São parceiros da iniciativa o Banco BMG, Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), Sindicato das Indústrias da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot), Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Unimed. Também apoiam a campanha TVs, rádios e jornais mineiros, oferecendo solidariamente espaço para veiculação.

A campanha de valorização da pessoa idosa segue modelo inaugurado pelo Governo de Minas e Servas, que realizam uma série de ações de mobilização social articulando poder público, sociedade civil e iniciativa privada. As mobilizações estão sendo articuladas contra a exploração sexual de menores e no combate à violência doméstica, através da Campanha Projeta Nossas Crianças, e também pela localização de pessoas desaparecidas, com a Campanha Volta.

A necessidade de urgência na mobilização da sociedade para a questão do idoso é expressa pelos números, já que o país passa pelo fenômeno de envelhecimento da população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1991 Minas Gerais contava com cerca de 1,19 milhão de idosos, correspondendo a 7,6% da população. Em 2000, a população de 60 anos ou mais passou para 1,63 milhão no Estado, o que corresponde a 9,1% do total.

Digna Idade

No atendimento ao idoso, entre outras ações, o Servas desenvolve, desde 2003, o Programa Digna Idade, de apoio às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPs). O programa garante investimento para a estrutura física, aquisição de equipamentos e utensílios nas áreas administrativa e de atendimento, além de capacitação de pessoal. De 2003 a 2009, já foram atendidos 17.760 idosos, totalizando 466 entidades em 414 municípios.

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13
out
09

Memória: Mamãe eu fui a Cuba – artigo de Andrea Neves publicado no Jornal do Brasil em 13 de outubro de 1985

Andrea Neves e Fidel Castro em CubaO avião se preparava para pousar. Do outro lado da janela, a visão ia ficando cada vez mais clara. No céu, poucas nuvens. Na terra plana, muito verde. Verde de plantação. A bordo, a delegação brasileira, convidada a participar do diálogo juvenil e estudantil da America Latina e Caribe sobre a dívida externa, dava as primeiras mostras da sua “amplitude”: enquanto algumas pessoas não escondiam a emoção outras reclamavam do cansaço, não faltando sequer quem se dispusesse a pisar o solo cubano dando vivas a Jânio Quadros.

A sessão de abertura do diálogo ofereceu ao plenário, de cerca de 700 jovens representantes de 400 organizações das mais diversas matizes ideológicas, o momento do primeiro encontro com o comandante Fidel Castro. Para os brasileiros, no entanto, ele trouxe outra surpresa. Convidado a encerrar os discursos da noite, a figura ágil e cordata de D. Pedro Casaldaglia ocupou a tribuna. Sereno ele conclamou os jovens ao sagrado exercício da rebeldia. O congresso durou quatro dias e, pela ordem, falaram pelo Brasil os representantes do PDS, PFL, PDT, PCB e PMDB.

Enquanto isso lá fora, uma havana ensolarada se oferecia aos visitantes. Para decepção dos que esperavam encontrar uma forte dose de realismo soviético, os passeios programados eram opcionais e os visitantes incentivados a descobrirem por si sós, os encantos da cidade. Uma cidade pobre. “Moça, você pode não entender, mas nós temos muito orgulho da nossa pobreza”, me disse, na rua, um senhor de 78 anos. É claro que eu entendia.

O que você achou de Cuba? Perguntaram-me as pessoas. Uma sociedade surpreendente, e ouso dizer, tendo plena consciência do quão provocativa a expressão pode suar. É claro que o país enfrenta uma série de dificuldades. Uma economia frágil, uma política de habitação que ainda não foi capaz de suprir as necessidades da área. São as mais evidentes. Mais algum tempo lá e, certamente, outras questões viriam à tona. Mas há outra realidade que salta aos olhos e que, juro, me encheu de orgulho.

Uma sociedade em que um especializado e eficaz serviço de educação e saúde é gratuitamente oferecida à população. Um país de nove milhões de habitantes em que a alimentação básica é subsidiada pelo Governo e onde se imprimem 2,5 milhões de livro a cada três meses. E isso sem falar na alegria das crianças, nas minissaias das moças e no olhar galante dos rapazes que insinuam pelas ruas. Tudo regado a muito calor, a reclamações sobre o ônibus cheio e à irreverência dos soldados que, na hora do almoço tiram a farda para um mergulho no mar.

Surpreendente porque uma sociedade não é só a infraestrutura que constrói. Ela é sobretudo os homens que cria. E aí, a coragem não é patrimônio exclusivo dos líderes da revolução, mas um dom generosamente repartido por toda a gente. Coragem e dignidade palavras-chave para se forjar o perfil de um povo. Um povo que canta, dança e se diverte com mísseis apontados para a sua cabeça.

Um país em que as crianças de quatro anos sabem que, em caso de ataque aéreo, devem colocar um lápis entre os dentes tapar os ouvidos, correr para debaixo da cama e cantar uma canção.  Que colocou na beira da praia, quase de frente para o litoral norte americano um gigantesco outdoor onde se vê, numa extremidade, o Tio Sam acuado. E na outra um cubano com os pulmões cheio de ar gritando aos quatro ventos: “Senhores imperialistas, nós não lhes temos medo nenhum”. Provocação? Infantilidade? Nada disso. Na verdade, uma gigantesca injeção de ânimo em quem passa pelo local. Mesmo porque como dizia Guimarães Rosa, pica-pau voa é duvidando do ar.

Cuba é o exemplo de uma sociedade ideal? Não creio. Mas na vida dos povos não basta apontar para o futuro justo que todos dizem almejar. É preciso se pôr a caminho. Ainda que por estradas diferentes.

“Afora isso”, é a discussão da dívida externa que infelizmente não cabe aqui. Mesmo assim me lembro de algumas intervenções que diziam que não se pode dever aquilo que não se pode pagar e faço minhas as preocupações do representante da Democracia Cristão chilena no sentido de que nosso esforço no momento deve ser garantir e aprofundar o processo de democratização dos países da América do Sul.  “Se tivermos que escolher entre a liberdade e o pão, ficaremos com a liberdade para seguir lutando pelo pão”, disse ele.

Chego em casa, desarrumo as malas e penso em como é grande o cordão da esperança. É isso aí.

Mamãe, eu fui a Cuba. E qualquer dia desses eu quero voltar. “No mais”, bate outra vez com esperanças o meu coração.




dezembro 2017
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